domingo, 16 de abril de 2017

A Páscoa cristã

Nos tempos da Antiga Aliança, a Páscoa (termo que significa passagem), celebrava a libertação da servidão no Egito. Após o banquete desta festa- um cordeiro-, o anjo destruidor passou pelos lares do Egito, destruindo todos os primogênitos. Somente os lares que tinham na porta a marca de sangue do cordeiro imolado  permaneciam incólumes. Neste admirável sacramento, o inimigo foi destruído e o povo de Deus, perdoado.
Eis que hoje tu, cristão, tal quais as portas das casas dos hebreus, tens o sangue que te protege da ira dos inimigos. Não o sangue de um cordeiro com quatro patas e lã, mas o sangue daquele a quem os sacrificios dos antigos remetiam, o sangue de Jesus Cristo.
Foi revelado aos pais a necessidade de sacrifícios sangrentos, pois o sangue representa a vida,
e toda vez que pecamos merecemos a morte, e nossa única salvação seria a morte de alguém em nosso lugar. Nas sombras da Lei do Antigo Concerto, os animais eram designados para esse fim. Mas tais sacrifícios não podiam, de modo algum, realmente expiar nossos pecados, tendo como fim temporário ser a sombra de um sacrifício maior.
A segunda pessoa da Santíssima, Consubstancial e Indivisivel Trindade, o Filho, fez-se servo por amor de nós, habitando encarnado entre os homens, participando em tudo das misérias deles, menos no pecado. Vivendo ele sem pecado, sendo ao mesmo tempo Deus e homem, tinha as credenciais para oficializar nossa redenção. Assim ele sofreu e morreu de forma cruel e atroz. Ele tornou-se então o perfeito Cordeiro de Deus, antítipo dos sacrifícios do Antigo Testamento, garantindo então a redenção de todos aqueles que crerem em seu sacrifício.
Ele estava morto. A fria morte o tocara. Foi sepultado. Ele, de fato, pagou o preço, e conseguiu nosso resgate. Mas como poderia nos garantir a vitória, se estava morto? Passou-se a sexta-feria da Paixão. E ele estava morto. Passou-se o sábado. E ele estava morto.
No domingo, então, uma maravilha suprema aconteceu. Eis aqui a nossa Páscoa, que maior vitória nos garantiu do que a dos judeus! Visto ser Cristo perfeito sacrifício, pelo poder da divindade levantou-se poderosamente dentre os mortos, ressuscitado em corpo e alma, para eternamente reinar. Ao ressurgir, qual um valente brandindo sua espada furiosamente, pôde assegurar e fazer valer o que nos conseguiu na cruz. Ao ressurgir, garantiu que, um dia, nós que crermos também ressuscitaremos, em espírito imortal e novo corpo incorruptível. Ao ressurgir, saqueou o inferno e dividiu os despojos com seus campeões.
Após esmagar ao diabo na cruz, ele esmagou a mais forte das campeãs deste, a morte, na ressurreição. A morte foi pisada e humilhada, seu reino, saqueado, e , para nós cristãos, só a máscara lhe resta.
Alegrai-vos, cristãos, porque vosso Salvador vive, exercendo para sempre o poder de sumo-sacerdote e nosso intercessor diante do justo Pai. Alegrai-vos, pois na vitória d'Ele conseguistes todas as vitórias que vos são necessárias. Alegrai-vos, pois recebereis, em lugar deste frágil corpo, sujeito a doenças e intempéries, um corpo incorruptível e glorificado, Alegrai-vos, pois vossos espíritos gozarão de eterna bem-aventurança na glória de Deus.
Alegrai-vos também, homens ímpios, pois esta é a chance que tendes de escapar ao poder atroz da morte temporal e  da morte eterna.
Alegrai-vos, todos os seres, pois a restauração da criação está por acontecer.
Hoje, celebramos ao Rei Vencedor. Á este conquistador invicto, seja o louvor, a honra, o poder, a glória e a sabedoria. Com a força de seu braço, este comandante valente submete a todos os poderes. Bem-aventurados aqueles que o seguem. Eis a Páscoa cristã, a mais sublime das festas celebradas pelo homem.

quarta-feira, 15 de março de 2017

História da música na igreja - séculos I ao VII

Com esse artigo, gostaria de iniciar uma série de textos a respeito da evolução e características da música no culto cristão, do período dos apóstolos até os nossos dias. Começaremos falando da música sacra da Igreja primitiva.

Podemos observar, pela Bíblia, que a música sempre participou do culto à Deus. No período veterotestamentário, os levitas (descendentes de Levi, filho de Jacó) eram os responsáveis pelos cânticos, que eram acompanhados por uma série de instrumentos de corda, de sopro e de percussão. O livro de Salmos tornou-se o hinário do povo de Israel por excelência.

No Novo Testamento, vemos os apóstolos cantando com Cristo. Na ocasião, havia se desenvolvido a liturgia não apenas no Templo de Jerusalém, centro máximo da adoração judaica, mas também nas sinagogas, onde o povo ouvia a proclamação da Palavra de Deus, e oferecia suas canções e orações.

Sabemos que o Cristianismo é oriundo do Judaísmo. O Salvador e os apóstolos eram judeus. Por isso, esse modo de cantar do antigo povo de Israel foi a grande influência dos hinos cristãos nos primeiros séculos. Outra fonte de influências foi a música grega. Sendo o grego a "língua internacional" da época, os livros do Novo Testamento foram escritos nessa língua. E na medida em que o Evangelho se espalhava pela Ásia, Europa e África, muitos homens e mulheres de fala grega foram acolhidos no seio da Igreja.  A música era praticamente uma ciência para os gregos, que tentaram sistematizá-la de forma racional e matemática. Dessa associação de características judaicas e gregas, desenvolveram-se as primeiras gerações de hinos cristãos.

Nesta, que foi a primeira fase da música no culto cristão, temos algumas peculiaridades. As melodias eram cantadas em uníssono e, provavelmente, sem acompanhamento instrumental (pois os instrumentos eram considerados, por vários Pais da Igreja, como "sombras da lei" ou associados ao paganismo dos gentios) e possuíam poucas variações de altura, raramente ultrapassando a oitava. Provavelmente o termo "cantochão" daí se deriva.

Temos registros dos cânticos por parte de Inácio, bispo de Antioquia. Ele introduziu o costume da "salmodia antifonal" na liturgia cristã. Essa consiste no canto intercalado entre grupos na congregação, ou entre esta e cantores "especializados".

Mesmo o intelectual pagão Plínio, o Jovem, registra os cânticos da Igreja, afirmando que os cristãos tinham o "(...) costume de se reunirem num dia fixo, antes do nascer do sol, para cantar um hino a Cristo como a um deus"

Mas quais hinos eram cantados? Além dos Salmos, vários outros cânticos, alguns provenientes dos Evangelhos. O Magnificat (Cântico de Maria – Lc 1.46-55) e o Nunc Dimittis (Cântico de Simeão – Lc 2.29-32) são alguns deles. Aos poucos, entre os séculos II e IV outros hinos, geralmente escritos em grego, surgiram. Entre os hinos desse período, temos o "Luz bendita", até hoje entoado nas igrejas católicas gregas. Também temos as "Odes de Salomão", coleção de hinos escritos em siríaco. Alguns pais da Igreja do período, como Clemente de Alexandria e Gregório de Nazianzo também escreveram hinos.

No século IV, viveu Éfrem, o Sírio. Grande apologista da sã doutrina, escreveu muito de sua obra na forma de hinos. Por isso ficou conhecido como "a cítara do Espírito Santo".

No Ocidente, o grande teólogo e bispo Ambrósio de Milão era um amante da música. Escreveu muitos hinos, cujas traduções podem ser ouvidas até hoje em muitas igrejas, além de arranjar melodias no estilo daquelas compostas pelos primeiros cristãos. Ambrósio também compilou os primeiros hinários, e esse tipo de música ficou conhecida como "canto ambrosiano". Agostinho de Hipona, considerado o maior dos Pais da Igreja, reconfortava sua alma nos cultos da igreja de Milão, relatando o seguinte em suas célebres "Confissões":

"Quantas lágrimas verti, de profunda comoção, ao mavioso ressoar de teus hinos e cânticos em tua igreja! Aquelas vozes penetravam nos meus ouvidos e destilavam a verdade em meu coração, inflamando-o de doce piedade, enquanto corria meu pranto e eu sentia um grande bem-estar.” (Agostinho, Confissões)

A tradição atribui o célebre hino latino "Te Deum" (A Ti, ó Deus, Louvamos) à autoria conjunta de Ambrósio e Agostinho.

Enquanto isso, no Oriente, João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla, encarrega o músico da corte imperial de desenvolver músicas para as igrejas. A partir daí surgirá o "canto bizantino", até hoje entoado nas Igrejas Ortodoxas.

O auge de toda essa produção de hinos se dá com o chamado "canto gregoriano", baseado nos já citados hinos dos primeiros cristãos. Recebe este nome devido ao papel indispensável do papa Gregório Magno em sua organização Escritor de muitos hinos, como o "Audi Benigne Conditor" e o "Nocte Surgentes", Gregório compilou também um "Antifonário", com os textos das Horas Canônicas e um "Gradual", com os cânticos utilizados na liturgia da missa. Iniciou também uma "Schola Cantorum", que traria grandes desenvolvimentos a esse tipo de canto, originalmente chamado de "canto romano". Além de ser cantados em uníssono e sem acompanhamento, tinham como característica a grande frequência de passagens melismáticas.

O canto romano ou gregoriano vicejaria na Europa nos séculos seguintes, tendo se expandido, entre outros fatores, graças à tentativa de Carlos Magno de unificar a liturgia em seu vasto império. A partir de então, essa veio a se tornar a música por excelência da Igreja ocidental durante séculos.

No entanto, nesse período, a congregação tornou-se uma mera expectadora da liturgia divina. Estabelecendo-se o latim como língua litúrgica oficial (mesmo que o povo não a entendesse), o canto gregoriano se tornou prática exclusiva dos sacerdotes e de coros treinados. Somente com a Reforma Protestante do século XVI veremos a liturgia contar novamente com a participação popular. Na Igreja Católica, haveria uma série de inovações na música, que veremos em outras postagens. Mas no seio dessa instituição, a partir do século XIX, graças a obra dos religiosos do "Mosteiro de São Pedro de Solesmes", o canto gregoriano passa a ser muito mais valorizado, divulgado e estudado. Atualmente, em várias lojas e livrarias podemos encontrar cds deste estilo gravados por coros de monges de várias partes do mundo. Na opinião do Rev. João Wilson Faustini, pastor da Igreja Presbiteriana Independente (IPIB), e grande especialista em música litúrgica, o canto gregoriano “É considerado o tipo mais puro de música sacra que existe, por ser completamente diferente da música secular e estar associado só a cantos litúrgicos”.

No próximo artigo, estudaremos o desenvolvimento da música eclesiástica na Idade Média.


                                                                  APÊNDICE:
            Mas Giovani, eu vi no Youtube uma gravação de canto gregoriano em que se invoca "lúcifer". Como explicar isso?

R. Na verdade, existe a tal palavra, mas devemos entender que no contexto em que está sendo usada, não se refere ao adversário de nossas almas, e sim a nosso Senhor Jesus Cristo. Trata-se de um canto da Vigília de Sábado Santo na qual Cristo é devidamente chamado de "astro da manhã", que em latim se diz "lucifer". Sabemos que o diabo não é mais um anjo de luz, mas Cristo é por excelência um astro resplandecente brilhando como a manhã da vida eterna em nossas almas (Ml 4.2, Pv 4.18), . Por último, na Vulgata, tradução latina da Bíblia feita por Jerônimo, podemos ver que "lucifer", em outras passagens, também tem um bom sentido, como usado em II Pe 1,19 (traduzida na versão Almeida como "estrela da alva"). Assim sendo, quem atacou a ICAR, na Internet, com esse argumento, deveria estudar mais.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A importância da comunhão entre os cristãos

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” Sl 133.1

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” Jo 13.34-35

    Ora, nos é notório, em todo o Novo Testamento, o amar à todos os homens. Mesmo nossos inimigos devem ser alvos de nossas intercessões e bênçãos. Assim, se segue a glória do amor de Deus: amar os próprios inimigos.

     Mas o que dizer então do amor fraterno, esse amor tão puro e forte que deve unir os filhos de Deus?

     Francisco de Sales nos ilumina a questão, ao dizer: “Meu Deus, se a boa amizade humana é tão agradavelmente amável, que não será ver a suavidade sagrada do amor recíproco dos bem-aventurados?”

     Eis como devem ser as amizades na fé, surpreendentes para o mundo. Uma amizade fundamentada na fé é verdadeira e jamais perece. Selada pelo próprio sangue de Cristo, esta relação afetiva deve se mostrar em obras, não em meras palavras. Muitas vezes temos visto o amor cristão ser reduzido a uma saudação com um sorriso no rosto, ou um abraço “instigado” pelos típicos pregadores de congressos em nossas igrejas. É óbvia a importância da cordialidade entre os cristãos, mas a comunhão deve ser mais profunda: Deve ser a mais terna comunhão de alma, a vontade de se estar ao lado do amigo, o querer-lhe bem de forma mais profunda, o ajudá-lo em suas dificuldades, o instruir-lhe e e o deixar instruir-se  por ele , na fé cristã.

     Deve haver:

    Comunhão na fé: A crença no mesmo Deus, no mesmo Cristo, na mesma fé básica. As orações recíprocas, estudos bíblicos, conversas sobre as coisas do alto, frequência ás reuniões de culto público(quando se congrega no mesmo lugar), bons conselhos e até mesmo repreensões, quando necessárias.

    Comunhão nas várias áreas da vida: O cristão, não sendo anjo, tem diversos assuntos que lhes importam para esta vida. Assim, precisam também trabalhar, estudar, pagar impostos. E estão passíveis de enfermidades, tentações e lutas. É ideal que, em todas essas áreas, os cristãos possam ajudar-se mutuamente no que for possível. Eis também, nas escolas e nas ocupações, a chance de manter comunhão com irmãos de outras tradições. Na área acadêmica, temos o ótimo exemplo da Aliança Bíblica Universitária (ABU), em meio a terrenos dominados pelo materialismo.

      Na amizade cristã, deve haver não apenas comunhão a respeito das crenças e obras de piedade, mas também, entre outros, atividades  daquilo que convém-se chamar “diversão”. É proveitoso e bom que os cristãos, especialmente os jovens, tenham atividades lúdicas, passatempos saudáveis, conversas sobre trivialidades, entre si. Uma comunhão em várias áreas. É assim que nasce uma boa amizade, como as queremos entre as ovelhas de Cristo.
   
      Devemos usar certos critérios ao escolher os amigos. Muitos deles acabam se tornando uma pedra de tropeço.. Sejamos bons para com todos aqueles que nos rodearem, e estendamos nossa amizade àqueles que, mesmo sem fé, se dão ao respeito. Mas lembremo-nos da grande importância de amizades cristãs, forjadas no fogo do zelo do Senhor.

   Assim sendo, busquemos uma comunhão mais íntima na Igreja, pautada pelo amor fraterno, respeito às diferenças, boa consciência e bom senso.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A grande dádiva dos livros


II Tm 4.13

“Quando vieres, traze a capa que deixei em
Troade , em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos”

   
       Resultado do desenvolvimento atingido pelas culturas humanas há quase seis mil anos, os livros fazem, sem dúvida, parte do mandato cultural, aquela ordem dada por Deus para que o homem dominasse, transformasse e o glorificasse através das obras que desenvolveriam.
    Estima-se que a escrita tenha surgido na Suméria, num tipo chamado "cuneiforme", há cerca de cinco mil e quinhentos anos. A partir desta época, surgiram em variados lugares, como o Egito, a China e a Índia, uma série de sistemas de escrita. Provavelmente os primeiros livros eram inventários de bens e códigos de leis. Mas logo surgiram livros com a temática sobrenatural, envolvendo deuses, espíritos, profetas e sacerdotes. Esse tipo de escrita sacra seguiu se desenvolvendo ao longo de toda a Antiguidade, e no período que se extendeu por volta de 1.400 a.C. à 100d.C., a Bíblia Sagrada foi escrita e compilada. Com sua inspiração divina, comprovada pelo teste da História, suas particularidades, sua profunda verdade moral e pelo magistério do Espírito Santo, este livro deve ser nosso único guia de fé e prática. Ela é suficiente para guiar a conduta cristã em matéria espiritual e moral.
     Tratando destes assuntos, escrita e livros, o que as Sagradas Escrituras nos ensinam sobre os tais? O grande apóstolo dos gentios nos sugere a resposta. Os bons livros devem sempre estar juntos de nós.
    Já temos visto que, de modo algum, as Escrituras nos proíbem, conforme apregoado por alguns, o conhecimento teológico, histórico, científico, racional e filosófico como formas de auxílio na interpretação da Bíblia. A letra que mata não é o conhecimento acadêmico, e sim a letra da Lei, ministério da morte, gravado em pedras II Co 3.6-8. Muitos homens de Deus ficaram conhecidos por seu conhecimento, como Daniel e seus companheiros, “doutos em conhecimento (Dn 1.4,20.) Salomão foi escritor de cânticos e provérbios. E o já citado Paulo conhecia muito da tradição judaica e a tradição e filosofia gregas, chegando a debater com filósofos no Areópago.(At 17.16-34)
    Vejamos, irmãos, a grande dádiva que nos dão os livros, a ponto de Deus revelar sua salvação à humanidade na forma destes! Quantos livro de grandes pensadores têm nos edificado. Obras  sobre cultura, ficção, história, ciência, moral e filosofia. Através das grandes obras de alguns autores não-cristãos, podemos ver que até mesmo sobre estes Deus derrama um tanto de sua verdade e um tipo de sabedoria.
    E o que dizer então da produção de obras sobre crer e obedecer, fé e obras, ortodoxia e santidade, os mistérios de Deus na humanidade e seu agir bondoso e o que Ele deseja de nós? O Cristianismo foi a maior fonte de produção literária da humanidade. Desde os chamados Pais da Igreja (pensadores cristãos dos primeiro séculos conhecidos por sua piedade, ortodoxia e publicação teológica), passando pelos monges administradores das bibliotecas medievais, e pelos reformadores (que eram homens cultos e davam ênfase ao ensino infantil e juvenil), até os apologistas e sábios que brilhantemente tratam dos assuntos sagrados em nossos dias, temos  um tesouro inesgotável. As grandes obras passam pelo crivo da História. Sob a santa fé cristã, surgiu o sistema universitário moderno. Por religiosos foi fundado o método científico. Nisso tudo vemos a importância dos bons livros.
    É óbvio que os mais sábios podem ler certas coisas que turbariam os mais fracos. É nossa missão, daqueles que  já estão na fé há um tempo, recomendar e aconselhar irmãos mais simples ou novos-convertidos sobre o que devem ler. Mas sempre devemos propagar esse hábito a outros cristãos, pela série de benefícios que daí advém, para a glória de Deus.
    Com a graça de Deus, diversas editoras cristãs passaram a  produzir material de ótima qualidade teológica, como a CPAD, a JUERP, a ECC e várias outras. É importante que os obreiros tenham hábito de leitura e o propaguem aos outros irmãos. E, como já foi dito, mesmo livros seculares  podem ser excelente fonte de benefícios.
    Dos tratados teológicos de Agostinho aos livros de  ficção de Tolkien. Das epístolas de Calvino aos grandes historiadores. Dos sermões de Lutero às alegorias de Lewis. Muita coisa está disponível para essa edificação (em vários sentidos).

    Que possamos nos utilizar do dom da leitura para edificar a nós mesmos e aos que nos rodearem.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

PAIS DA IGREJA: QUEM SÃO ELES? QUAL SUA IMPORTÂNCIA PARA NÓS?

   Nas últimas décadas, surgiu no meio evangélico um novo interesse pelos "Pais (ou Padres) da Igreja". O estudo da "Patrística" (as ideias e doutrinas por eles defendidas) e da "Patrologia" (a vida e as obras dos Pais) passa a figurar em seminários protestantes conservadores. É grande o interesse nesses homens, que foram os primeiros teólogos do Cristianismo.
   
  Por outro lado, alguns evangélicos, como os batistas fundamentalistas,  mostram-se profundamente contrariados. Para eles, esses homens afastaram a Igreja primitiva dos caminhos de Cristo e a conduziram de forma mundana, introduzindo heresias e, usando uma forma de linguagem própria destes fundamentalistas, "fundaram a Igreja Católica Apostólica Romana" (que para eles é a prostituta de Satanás).
    
    Na verdade, é possível entender porque leigos evangélicos compram essa ideia. Muitos apologetas católicos romanos afirmam aos quatro ventos que caso um protestante venha a estudar as obras dos Pais, acabará convencido de que a ICAR é o único caminho. Esses apologetas parecem desconhecer que, desde a época dos reformadores, muitos protestantes estudaram/estudam os Pais, e continuam protestantes. Embora existam, de fato, tais conversões, estas não são necessariamente regras. Muitos protestantes, inclusive, fundamentam suas doutrinas inspirados também nos Pais. Vejamos, por exemplo, citações que se aproximam do "Sola Fide" dos reformadores:

"Portanto, todos foram glorificados e engrandecidos, não por eles mesmos, nem por suas obras, nem pela justiça dos atos que praticaram, e sim por vontade dele [Deus]. Por conseguinte, nós, que por sua vontade fomos chamados em Jesus Cristo, não somos justificados por nós mesmos, nem pela nossa sabedoria, piedade ou inteligência, nem pelas obras que realizamos com pureza de coração, e sim pela fé;"(Clemente de Roma, na "Primeira Epístola aos Coríntios")

"Cristo cumpriu a promessa, nascendo da Virgem, da estirpe de Abraão, e convertendo em luminárias do mundo os que nele acreditam, e justificando os gentios com Abraão por meio da mesma fé. "Abraão creu em Iahweh, e lhe foi tido em conta de justiça." Do mesmo modo, nós somos justificados em virtude da fé em Deus, porque "o justo viverá por sua fé". A promessa de Abraão não foi feita pelo cumprimento da Leia, mas por meio da fé (...) Nós não somos justificados pela Lei, mas pela fé"(Irineu de Lião, em "Demonstração da Pregação Apostólica")

   Os primeiros Pais foram os chamados "Pais Apostólicos", pois tiveram algum contato com os apóstolos e outros dos primeiros seguidores de Cristo. Aqui se encaixam: Inácio de Antioquia, Papias de Hierápolis, Clemente de Roma, Policarpo de Esmirna e alguns documentos que também recebem esse título, como "O Pastor de Hermas"; “Didaquê (atribuída aos apóstolos)"; e a “Epístola de Pseudo-Barnabé"

   Outras gerações de teólogos foram se sucedendo. Temos então os "Pais Apologistas", no segundo século, os primeiros a tentar estabelecer uma ligação da doutrina dos apóstolos com a filosofia grega (no entanto de forma saudável, não de forma sincrética e herética, tão comuns em nossos dias). Os Apologistas podem ser considerados os primeiros filósofos cristãos. Eram influenciados pelas escolas platônicas e estóica. Considerando que "toda verdade provém de Deus, mesmo que ditas por homens ímpios", eles encontraram na cultura, literatura e filosofia grega alguns "pontos de ligação" com a verdade revelada nas Escrituras (lembram-se que o apóstolo Paulo se utilizou de tática semelhante em relação ao "Deus desconhecido?). Entre os Pais Apologistas, temos Justino de Roma e Irineu de Lião. No entanto, vale lembrar que nem todos os teólogos da época acharam essa ligação proveitosa. Um dos Pais, Tertuliano de Cartago (que criou o nome "Trindade", para designar o Deus vivo e verdadeiro), foi enfático ao rejeitar ideias helênicas : "Que ligação tem Atenas com Jerusalém? Ou a Academia com a Igreja?"

   Entre outas divisões que podemos citar, temos os "Pais antenicenos" (ou seja, aqueles que viveram no período anterior ao Concílio de Niceia), assim como os "Pais posnicenos"( que viveram a partir daí, como Atanásio de Alexandria). Os "Pais capadócios", termo aplicado aos três maiores teólogos da tradição oriental: Basílio de Cesareia, seu irmão Gregório de Nissa e seu melhor amigo, Gregório Nazianzeno. Entre outros pais de fala grega, temos João Crisóstomo, a quem é atribuída a liturgia usada até os nossos dias pela Igreja Ortodoxa Oriental. O grupo dos quatro grandes "Pais Latinos", incluía Agostinho de Hipona (sem dúvida o mais célebre), Jerônimo de Strídon, Ambrósio de Milão e Gregório Magno (o primeiro dos medievais, segundo alguns historiadores). Entre outros pais latinos, temos Cipriano de Cartago, Leão Magno, etc.

   Se, como vimos, os primeiros Pais foram aqueles que tiveram contato com os apóstolos, a delimitação de qual seria o fim do período patrístico é mais problemática. No Catolicismo Romano e na Igreja Ortodoxa Oriental, costuma-se dar ao presbítero João Damasceno (675-749) o título de “último dos pais da igreja” Por outro lado, teólogos protestantes tendem a considerar o fim do período patrístico for volta dos séculos V e VI. Tal tendência se encontra em Hans von Campenhausen, num livro sobre o assunto, e no pastor batista Marcos Granconato, em palestras sobre Patrística ministradas na Escola Charles Spurgeon.

     Para concluir o tópico, os Pais tem algumas características distintivas além da Antiguidade: foram teólogos ortodoxos (ou seja, defendiam, no básico, a fé correta), tiveram produção literária e santidade de vida (eram todos eles "homens da igreja", não meros especuladores.)

  Havia também falsos mestres nestes tempos. Taís líderes recebem a denominação de "heresiarcas". Aqui se incluem: Mani, Montano, Marcião, Ário, etc.  Vale lembrar que temos algumas características para diferenciar a verdade da heresia. Além da óbvia e primordial autoridade bíblica, a fé verdadeira sempre foi crida, ao menos na forma básica, por todos, em todas as épocas, e em todos os lugares, como diz Vicente de Lerins. As heresias são distorções estabelecidas num recorte temporal, que nunca chegam à totalidade da Igreja.

   Agora que esclarecemos quem são os Pais da Igreja, vamos analisar sua importância. Ora, estiveram cronologicamente e hierarquicamente próximos aos apóstolos. Por isso, em vários aspectos, como disse um líder católico romano, eles são "os melhores intérpretes das Escrituras". Foram esses homens aqueles que defenderam as verdades divinamente reveladas aos apóstolos no Novo Testamento. Eles criaram também uma base moral para a civilização ocidental. Sendo "homens da Igreja”, muitas vezes pagaram com a própria vida a sua confissão naquele que por nós foi crucificado (e ressuscitou!). Aqui se encaixam os já citados Policarpo, Justino e Irineu.
 
    No período patrístico, foi reconhecido o cânon do NT tal qual os cristãos verdadeiros até hoje utilizam. Doutrinas cardeais da fé, como a Trindade e a natureza da Encarnação e da Redenção, foram reconhecidas e sistematizadas nesse período, nos concílios organizados pelos Pais (especialmente o Concílio de Niceia, em 325). Assim vemos  grande importância dessas figuras na História da Igreja e das doutrinas.

    No entanto, deve ser dada uma palavra de alerta: os Pais não estão nas Sagradas Escrituras, por isso mesmo não podem ser considerados infalíveis. Muitos deles erraram, e em vários assuntos. Orígenes era universalista, Tertuliano rompeu com a comunhão da Igreja, e Agostinho foi inspirador de certas doutrinas adotadas pela ICAR, as quais são rejeitadas por nós protestantes. Por isso, é necessário certo cuidado antes de se consultar diretamente os Pais. É necessário que você tenha em mente que, apesar de ser uma chave hermenêutica importante, A patrística não é fonte de doutrinas para nós por ela própria("Sola scriptura", lembra-se?). Com cuidado, e consultando a Deus em oração, você poderá aproveitar-se destes verdadeiros tesouros literários, que inclui cartas, livros, diálogos e sermões.

   Dicas de livros: Há uma interessante coleção de textos patrísticos é a que tem sido publicada pela Paulus, uma editora católica. Mas acho ser interessante, antes de mergulhar diretamente nos Pais, a leitura de livros introdutórios. Para isso, recomendo:
 “Os Pais da Igreja”, de Hans von Campenhausen: publicado pela CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus). Nesta obra, que combina duas obras anteriormente publicadas, uma sobre os Pais Gregos e outra sobre os Pais Latinos, o autor analisa a vida e obra de muitos deles, e faz até mesmo juízos críticos.

“Redescobrindo os Pais da Igreja”, de Michael A.G. Haykin: publicado pela Editora Fiel. Um ótimo estudo introdutório, que trata de nomes como Inácio, Cipriano e Patrício (evangelizador do povo irlandês).

quinta-feira, 10 de abril de 2014

RELATO DAQUILO QUE EU VI NA VENEZUELA DE NICOLÁS MADURO

Por Renato Vargens
Neste último sábado eu estive em  Santa Elena De Uairén, Venezuela.

Ao andar pelas ruas capital de Gran Sabana, pude testemunhar com os meus olhos que a situação econômica da terra de Maduro é a pior possível, senão vejamos:

Moeda, poder de compra e inflação: Um Real equivale a 24 bolívares. A moeda Venezuelana não vale praticamente nada. Nas principais vias de Santa Elena era possível encontrar dezenas de cambistas desesperados em "vender" seu dinheiro. Além disso, os produtos devido a Inflação, (A inflação na Venezuela chegou a 56,2% em 2013, a mais alta da América Latina e quase o triplo da registrada há um ano) constantemente sofrem aumentos levando portanto o cidadão venezuelano a um estado de pobreza extrema.

Supermercados:  Em santa Elena eu visitei seis supermercados e em todos eles faltavam alimentos. Em todos os mercados que fui não encontrei para venda carne, ovos, leite, manteiga, como também nenhum latícinio. Em alguns deles as prateleiras estavam vazias de grãos como arroz, feijão e etc.  (veja a foto acima) 

Comércio: Ao andar pelas ruas de Santa Elena bem como observar seu comércio pude constatar a falência do país. Todas as lojas, absolutamente todas elas encontravam-se vazias sem compradores e fregueses.

Racionamento de alimentos: Entrei numa padaria e vi um cartaz fixado numa coluna (veja acima) que dizia que devida a falta de farinha eles só podiam vender dois pães por pessoa. Nessa padaria, pertencente a um português, até era possível comprar queijo, presunto e similares, contudo, os venezuelanos não o faziam por falta de dinheiro. 

Papel higiênico - Em nenhum lugar da cidade foi possível encontrar papel higiênico para venda. Segundo testemunhas, fazem alguns meses que o venezuelano não sabe o que é ter esse produto de higiene em suas casas.

Hugo Chavez - Apesar de morto, o ditador venezuelano continua presente nas ruas. Por onde se anda é possível ver fotos de Chaves, pichações em muro com seu nome, cartazes e muito mais. A impressão que se tem é que o "fantasma" do ex-presidente bolivariano caminha pelas ruas oprimindo o país. 

Politica - Conversei com um venezuelano que resumiu o momento nevralgico do seu país, com a seguinte afirmação: "Os políticos estão acabando com a Venezuela."

Ditadura - Nicolás Maduro, presidente venezuelano ordenou a todos aqueles que possuem casas com inquilinos a mais de 20 anos que VENDAM suas propriedades para estes. 

Energia elétrica -  Conversei com um brasileiro que me disse que a empresa de eletricidade de Roraima teve que acudir a Companhia de energia venezuela por esta ter entrado em colapso.

Pobreza, fome e miséria - Sem dinheiro para comprar alimentos, sem mantimentos nos mercados, com racionamento de comida, não é díficil constatar que a poupulação de Santa Elena encontra-se em estado de pobreza, fome e miséria.

Saúde - Quanto a saúde não tive tempo de averiguar a real situação do povo venezuelano, contudo, o jornal do Estado de São Paulo, publicou uma matéria, dizendo que a saúde encontra-se em colapso. (leia aqui)

Conclusão:

Verdadeiramente a Venezuela encontra-se debaixo de uma grave crise proporcionada por um governo despótico, ditadorial e comunista. 

Diante do que vi e ouvi asssusta-me o fato de que o governo brasileiro apóie integralemente Nicolás Maduro e seu socialismo bolivariano. O silêncio de Dilma diante do sofrimento do povo venezuelano, nos mostra o nível de comprometimento do Partido dos Trabalhadores com essa maldita política Chavista.

Isto posto, resta-nos colocar as barbas de molho e orarmos tanto pela Venezuela como pelo Brasil. Pela Venezuela para que o Senhor nosso Deus os livre de dias piores, e pelo Brasil para que isso aqui não vire uma Venezuela.

Renato Vargens

segunda-feira, 17 de março de 2014

A origem e efeitos da "teologia" da prosperidade

"Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares."

Ficheiro:Ary Scheffer - The Temptation of Christ (1854).jpg
Satanás é o maior interessado nas heresias 
A teologia da prosperidade não pode ter sido originada pelos homens. Este verdadeiro câncer e, talvez, a pan-heresia de nossos tempos, é pautado pela voz do Inimigo. Vejamos : o seus líderes não estão interessados em pregar o Evangelho. Apenas dizem coisas como:   "-Venha , e todos os teus problemas serão resolvidos",ou "-Venha para nossa igreja,e você será próspero em todos os sentidos". Não estão interessados na salvação das almas, e sim em lotar suas igrejas com ignorantes não-regenerados, prontos a obedecer-lhes em tudo. Assim, muitos que nunca passaram pelo novo nascimento consideram-se cristãos porque frequentam os cultos, fazem as campanhas, obedecem certos padrões humanos e dão o fruto de seus trabalhos aos seus "pastores". Muitas dessas pessoas nunca conhecerem à Cristo, nunca conheceram o Evangelho da Bíblia, que exige do homem,pobre e depravado pecador, uma rendição total e incondicional diante do Deus justo e santo, entronizado nas alturas. Não conhecem ao Evangelho da justificação pela fé, pois pensam que serão salvas por obedecer aos seus líderes. Não conhecem o dom do Espírito Santo.Não sabem que devem buscar a vontade de Deus,e não a própria. Não amam a glória de Deus e sua vontade soberana, mas querem, quais filhos mimados, que o Pai celestial lhes conceda todos os desejos. Estão espiritualmente mortos, pobres, desgraçados, cegos e nus.
Existe algo que é muito irritante. Muitos crentes sinceros gostam de ficar condenando,por exemplo, os católicos romanos, mas calam-se diante do erro da "teologia da prosperidade" pois, dizem eles, não devemos julgar nossos irmãos. Não estou aqui para defender os erros da ICAR, mas apenas creio que não devemos usar dois pesos e duas medidas. Os católicos praticam a idolatria ? Os seguidores da teologia da prosperidade(daqui em diante TP) praticam a egolatria(adoração à si próprio), ao se acharem senhores de tudo o que existe, ao pensarem que devem apenas mandar e "crer", que serão feitas todas as suas vontades. Os católicos pregam a salvação pelas obras? Os seguidores da TP também o fazem, ao pregar que a salvação é pela obediência incondicional a todo tipo de patifaria e heresia que seus líderes criam( como o bruxo Edir Macedo, que blasfemou da doutrina bíblica da salvação pela fé). Os católicos erram em crer num líder humano? Os seguidores da TP também( e olha que o papa parece infinitamente mais sincero e cristão do que os líderes da TP). Os católicos são supersticiosos em relação a objetos(como medalinhas, relíquias, imagens e crucifixos)? .Os da TP fazem isso de forma mais tosca ainda, ao acharem que certos objetos(cá entre nós, super-bregas) tem algum tipo de poder.Os católicos vendiam bençãos no passado? Os discípulos da TP até hoje o fazem.
Devemos estar prontos para a proliferação dessas pseudo-igrejas, que não pregam o evangelho da cruz, mas sim um evangelho carnal, terreno e diabólico. Devemos ter amor por essas pobres almas que se perdem no caminho da heresia. Devemos estar prontos para dar a razão de nossa fé, para ensinar com carinho(porém com autoridade) aos seguidores da TP, provarmos na Bíblia que os caminhos que seguem não são os caminhos corretos de Deus. Devemos orar por essas pessoas.E, como o amor de Cristo está derramado em nossos corações, devemos pedir até mesmo pelos lobos que fomentam essas doutrinas, pois são também pobres almas que necessitam do amor de Jesus.
Por fim, eu reconheço que existem muitos crentes salvos e sinceros( as vezes até mesmo melhores que nós) nas igrejas que seguem a TP. Mas isso é uma razão a mais para combatermos contra essas falsas doutrinas que têm se propagado em nosso meio.