sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A grande dádiva dos livros


II Tm 4.13

“Quando vieres, traze a capa que deixei em
Troade , em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos”

   
       Resultado do desenvolvimento atingido pelas culturas humanas há quase seis mil anos, os livros fazem, sem dúvida, parte do mandato cultural, aquela ordem dada por Deus para que o homem dominasse, transformasse e o glorificasse através das obras que desenvolveriam.
    Estima-se que a escrita tenha surgido na Suméria, num tipo chamado "cuneiforme", há cerca de cinco mil e quinhentos anos. A partir desta época, surgiram em variados lugares, como o Egito, a China e a Índia, uma série de sistemas de escrita. Provavelmente os primeiros livros eram inventários de bens e códigos de leis. Mas logo surgiram livros com a temática sobrenatural, envolvendo deuses, espíritos, profetas e sacerdotes. Esse tipo de escrita sacra seguiu se desenvolvendo ao longo de toda a Antiguidade, e no período que se extendeu por volta de 1.400 a.C. à 100d.C., a Bíblia Sagrada foi escrita e compilada. Com sua inspiração divina, comprovada pelo teste da História, suas particularidades, sua profunda verdade moral e pelo magistério do Espírito Santo, este livro deve ser nosso único guia de fé e prática. Ela é suficiente para guiar a conduta cristã em matéria espiritual e moral.
     Tratando destes assuntos, escrita e livros, o que as Sagradas Escrituras nos ensinam sobre os tais? O grande apóstolo dos gentios nos sugere a resposta. Os bons livros devem sempre estar juntos de nós.
    Já temos visto que, de modo algum, as Escrituras nos proíbem, conforme apregoado por alguns, o conhecimento teológico, histórico, científico, racional e filosófico como formas de auxílio na interpretação da Bíblia. A letra que mata não é o conhecimento acadêmico, e sim a letra da Lei, ministério da morte, gravado em pedras II Co 3.6-8. Muitos homens de Deus ficaram conhecidos por seu conhecimento, como Daniel e seus companheiros, “doutos em conhecimento (Dn 1.4,20.) Salomão foi escritor de cânticos e provérbios. E o já citado Paulo conhecia muito da tradição judaica e a tradição e filosofia gregas, chegando a debater com filósofos no Areópago.(At 17.16-34)
    Vejamos, irmãos, a grande dádiva que nos dão os livros, a ponto de Deus revelar sua salvação à humanidade na forma destes! Quantos livro de grandes pensadores têm nos edificado. Obras  sobre cultura, ficção, história, ciência, moral e filosofia. Através das grandes obras de alguns autores não-cristãos, podemos ver que até mesmo sobre estes Deus derrama um tanto de sua verdade e um tipo de sabedoria.
    E o que dizer então da produção de obras sobre crer e obedecer, fé e obras, ortodoxia e santidade, os mistérios de Deus na humanidade e seu agir bondoso e o que Ele deseja de nós? O Cristianismo foi a maior fonte de produção literária da humanidade. Desde os chamados Pais da Igreja (pensadores cristãos dos primeiro séculos conhecidos por sua piedade, ortodoxia e publicação teológica), passando pelos monges administradores das bibliotecas medievais, e pelos reformadores (que eram homens cultos e davam ênfase ao ensino infantil e juvenil), até os apologistas e sábios que brilhantemente tratam dos assuntos sagrados em nossos dias, temos  um tesouro inesgotável. As grandes obras passam pelo crivo da História. Sob a santa fé cristã, surgiu o sistema universitário moderno. Por religiosos foi fundado o método científico. Nisso tudo vemos a importância dos bons livros.
    É óbvio que os mais sábios podem ler certas coisas que turbariam os mais fracos. É nossa missão, daqueles que  já estão na fé há um tempo, recomendar e aconselhar irmãos mais simples ou novos-convertidos sobre o que devem ler. Mas sempre devemos propagar esse hábito a outros cristãos, pela série de benefícios que daí advém, para a glória de Deus.
    Com a graça de Deus, diversas editoras cristãs passaram a  produzir material de ótima qualidade teológica, como a CPAD, a JUERP, a ECC e várias outras. É importante que os obreiros tenham hábito de leitura e o propaguem aos outros irmãos. E, como já foi dito, mesmo livros seculares  podem ser excelente fonte de benefícios.
    Dos tratados teológicos de Agostinho aos livros de  ficção de Tolkien. Das epístolas de Calvino aos grandes historiadores. Dos sermões de Lutero às alegorias de Lewis. Muita coisa está disponível para essa edificação (em vários sentidos).

    Que possamos nos utilizar do dom da leitura para edificar a nós mesmos e aos que nos rodearem.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

PAIS DA IGREJA: QUEM SÃO ELES? QUAL SUA IMPORTÂNCIA PARA NÓS?

   Nas últimas décadas, surgiu no meio evangélico um novo interesse pelos "Pais (ou Padres) da Igreja". O estudo da "Patrística" (as ideias e doutrinas por eles defendidas) e da "Patrologia" (a vida e as obras dos Pais) passa a figurar em seminários protestantes conservadores. É grande o interesse nesses homens, que foram os primeiros teólogos do Cristianismo.
   
  Por outro lado, alguns evangélicos, como os batistas fundamentalistas,  mostram-se profundamente contrariados. Para eles, esses homens afastaram a Igreja primitiva dos caminhos de Cristo e a conduziram de forma mundana, introduzindo heresias e, usando uma forma de linguagem própria destes fundamentalistas, "fundaram a Igreja Católica Apostólica Romana" (que para eles é a prostituta de Satanás).
    
    Na verdade, é possível entender porque leigos evangélicos compram essa ideia. Muitos apologetas católicos romanos afirmam aos quatro ventos que caso um protestante venha a estudar as obras dos Pais, acabará convencido de que a ICAR é o único caminho. Esses apologetas parecem desconhecer que, desde a época dos reformadores, muitos protestantes estudaram/estudam os Pais, e continuam protestantes. Embora existam, de fato, tais conversões, estas não são necessariamente regras. Muitos protestantes, inclusive, fundamentam suas doutrinas inspirados também nos Pais. Vejamos, por exemplo, citações que se aproximam do "Sola Fide" dos reformadores:

"Portanto, todos foram glorificados e engrandecidos, não por eles mesmos, nem por suas obras, nem pela justiça dos atos que praticaram, e sim por vontade dele [Deus]. Por conseguinte, nós, que por sua vontade fomos chamados em Jesus Cristo, não somos justificados por nós mesmos, nem pela nossa sabedoria, piedade ou inteligência, nem pelas obras que realizamos com pureza de coração, e sim pela fé;"(Clemente de Roma, na "Primeira Epístola aos Coríntios")

"Cristo cumpriu a promessa, nascendo da Virgem, da estirpe de Abraão, e convertendo em luminárias do mundo os que nele acreditam, e justificando os gentios com Abraão por meio da mesma fé. "Abraão creu em Iahweh, e lhe foi tido em conta de justiça." Do mesmo modo, nós somos justificados em virtude da fé em Deus, porque "o justo viverá por sua fé". A promessa de Abraão não foi feita pelo cumprimento da Leia, mas por meio da fé (...) Nós não somos justificados pela Lei, mas pela fé"(Irineu de Lião, em "Demonstração da Pregação Apostólica")

   Os primeiros Pais foram os chamados "Pais Apostólicos", pois tiveram algum contato com os apóstolos e outros dos primeiros seguidores de Cristo. Aqui se encaixam: Inácio de Antioquia, Papias de Hierápolis, Clemente de Roma, Policarpo de Esmirna e alguns documentos que também recebem esse título, como "O Pastor de Hermas"; “Didaquê (atribuída aos apóstolos)"; e a “Epístola de Pseudo-Barnabé"

   Outras gerações de teólogos foram se sucedendo. Temos então os "Pais Apologistas", no segundo século, os primeiros a tentar estabelecer uma ligação da doutrina dos apóstolos com a filosofia grega (no entanto de forma saudável, não de forma sincrética e herética, tão comuns em nossos dias). Os Apologistas podem ser considerados os primeiros filósofos cristãos. Eram influenciados pelas escolas platônicas e estóica. Considerando que "toda verdade provém de Deus, mesmo que ditas por homens ímpios", eles encontraram na cultura, literatura e filosofia grega alguns "pontos de ligação" com a verdade revelada nas Escrituras (lembram-se que o apóstolo Paulo se utilizou de tática semelhante em relação ao "Deus desconhecido?). Entre os Pais Apologistas, temos Justino de Roma e Irineu de Lião. No entanto, vale lembrar que nem todos os teólogos da época acharam essa ligação proveitosa. Um dos Pais, Tertuliano de Cartago (que criou o nome "Trindade", para designar o Deus vivo e verdadeiro), foi enfático ao rejeitar ideias helênicas : "Que ligação tem Atenas com Jerusalém? Ou a Academia com a Igreja?"

   Entre outas divisões que podemos citar, temos os "Pais antenicenos" (ou seja, aqueles que viveram no período anterior ao Concílio de Niceia), assim como os "Pais posnicenos"( que viveram a partir daí, como Atanásio de Alexandria). Os "Pais capadócios", termo aplicado aos três maiores teólogos da tradição oriental: Basílio de Cesareia, seu irmão Gregório de Nissa e seu melhor amigo, Gregório Nazianzeno. Entre outros pais de fala grega, temos João Crisóstomo, a quem é atribuída a liturgia usada até os nossos dias pela Igreja Ortodoxa Oriental. O grupo dos quatro grandes "Pais Latinos", incluía Agostinho de Hipona (sem dúvida o mais célebre), Jerônimo de Strídon, Ambrósio de Milão e Gregório Magno (o primeiro dos medievais, segundo alguns historiadores). Entre outros pais latinos, temos Cipriano de Cartago, Leão Magno, etc.

   Se, como vimos, os primeiros Pais foram aqueles que tiveram contato com os apóstolos, a delimitação de qual seria o fim do período patrístico é mais problemática. No Catolicismo Romano e na Igreja Ortodoxa Oriental, costuma-se dar ao presbítero João Damasceno (675-749) o título de “último dos pais da igreja” Por outro lado, teólogos protestantes tendem a considerar o fim do período patrístico for volta dos séculos V e VI. Tal tendência se encontra em Hans von Campenhausen, num livro sobre o assunto, e no pastor batista Marcos Granconato, em palestras sobre Patrística ministradas na Escola Charles Spurgeon.

     Para concluir o tópico, os Pais tem algumas características distintivas além da Antiguidade: foram teólogos ortodoxos (ou seja, defendiam, no básico, a fé correta), tiveram produção literária e santidade de vida (eram todos eles "homens da igreja", não meros especuladores.)

  Havia também falsos mestres nestes tempos. Taís líderes recebem a denominação de "heresiarcas". Aqui se incluem: Mani, Montano, Marcião, Ário, etc.  Vale lembrar que temos algumas características para diferenciar a verdade da heresia. Além da óbvia e primordial autoridade bíblica, a fé verdadeira sempre foi crida, ao menos na forma básica, por todos, em todas as épocas, e em todos os lugares, como diz Vicente de Lerins. As heresias são distorções estabelecidas num recorte temporal, que nunca chegam à totalidade da Igreja.

   Agora que esclarecemos quem são os Pais da Igreja, vamos analisar sua importância. Ora, estiveram cronologicamente e hierarquicamente próximos aos apóstolos. Por isso, em vários aspectos, como disse um líder católico romano, eles são "os melhores intérpretes das Escrituras". Foram esses homens aqueles que defenderam as verdades divinamente reveladas aos apóstolos no Novo Testamento. Eles criaram também uma base moral para a civilização ocidental. Sendo "homens da Igreja”, muitas vezes pagaram com a própria vida a sua confissão naquele que por nós foi crucificado (e ressuscitou!). Aqui se encaixam os já citados Policarpo, Justino e Irineu.
No período patrístico, foi reconhecido o cânon do NT tal qual os cristãos verdadeiros até hoje utilizam. Doutrinas cardeais da fé, como a Trindade e a natureza da Encarnação e da Redenção, foram reconhecidas e sistematizadas nesse período, nos concílios organizados pelos Pais (especialmente o Concílio de Niceia, em 325). Assim vemos  grande importância dessas figuras na História da Igreja e das doutrinas.

    No entanto, deve ser dada uma palavra de alerta: os Pais não estão nas Sagradas Escrituras, por isso mesmo não podem ser considerados infalíveis. Muitos deles erraram, e em vários assuntos. Orígenes era universalista, Tertuliano rompeu com a comunhão da Igreja, e Agostinho foi inspirador de certas doutrinas adotadas pela ICAR, as quais são rejeitadas por nós protestantes. Por isso, é necessário certo cuidado antes de se consultar diretamente os Pais. É necessário que você tenha em mente que, apesar de ser uma chave hermenêutica importante, A patrística não é fonte de doutrinas para nós por ela própria("Sola scriptura", lembra-se?). Com cuidado, e consultando a Deus em oração, você poderá aproveitar-se destes verdadeiros tesouros literários, que inclui cartas, livros, diálogos e sermões.

   Dicas de livros: Há uma interessante coleção de textos patrísticos é a que tem sido publicada pela Paulus, uma editora católica. Mas acho ser interessante, antes de mergulhar diretamente nos Pais, a leitura de livros introdutórios. Para isso, recomendo:
 “Os Pais da Igreja”, de Hans von Campenhausen: publicado pela CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus). Nesta obra, que combina duas obras anteriormente publicadas, uma sobre os Pais Gregos e outra sobre os Pais Latinos, o autor analisa a vida e obra de muitos deles, e faz até mesmo juízos críticos.

“Redescobrindo os Pais da Igreja”, de Michael A.G. Haykin: publicado pela Editora Fiel. Um ótimo estudo introdutório, que trata de nomes como Inácio, Cipriano e Patrício (evangelizador do povo irlandês).

quinta-feira, 10 de abril de 2014

RELATO DAQUILO QUE EU VI NA VENEZUELA DE NICOLÁS MADURO

Por Renato Vargens
Neste último sábado eu estive em  Santa Elena De Uairén, Venezuela.

Ao andar pelas ruas capital de Gran Sabana, pude testemunhar com os meus olhos que a situação econômica da terra de Maduro é a pior possível, senão vejamos:

Moeda, poder de compra e inflação: Um Real equivale a 24 bolívares. A moeda Venezuelana não vale praticamente nada. Nas principais vias de Santa Elena era possível encontrar dezenas de cambistas desesperados em "vender" seu dinheiro. Além disso, os produtos devido a Inflação, (A inflação na Venezuela chegou a 56,2% em 2013, a mais alta da América Latina e quase o triplo da registrada há um ano) constantemente sofrem aumentos levando portanto o cidadão venezuelano a um estado de pobreza extrema.

Supermercados:  Em santa Elena eu visitei seis supermercados e em todos eles faltavam alimentos. Em todos os mercados que fui não encontrei para venda carne, ovos, leite, manteiga, como também nenhum latícinio. Em alguns deles as prateleiras estavam vazias de grãos como arroz, feijão e etc.  (veja a foto acima) 

Comércio: Ao andar pelas ruas de Santa Elena bem como observar seu comércio pude constatar a falência do país. Todas as lojas, absolutamente todas elas encontravam-se vazias sem compradores e fregueses.

Racionamento de alimentos: Entrei numa padaria e vi um cartaz fixado numa coluna (veja acima) que dizia que devida a falta de farinha eles só podiam vender dois pães por pessoa. Nessa padaria, pertencente a um português, até era possível comprar queijo, presunto e similares, contudo, os venezuelanos não o faziam por falta de dinheiro. 

Papel higiênico - Em nenhum lugar da cidade foi possível encontrar papel higiênico para venda. Segundo testemunhas, fazem alguns meses que o venezuelano não sabe o que é ter esse produto de higiene em suas casas.

Hugo Chavez - Apesar de morto, o ditador venezuelano continua presente nas ruas. Por onde se anda é possível ver fotos de Chaves, pichações em muro com seu nome, cartazes e muito mais. A impressão que se tem é que o "fantasma" do ex-presidente bolivariano caminha pelas ruas oprimindo o país. 

Politica - Conversei com um venezuelano que resumiu o momento nevralgico do seu país, com a seguinte afirmação: "Os políticos estão acabando com a Venezuela."

Ditadura - Nicolás Maduro, presidente venezuelano ordenou a todos aqueles que possuem casas com inquilinos a mais de 20 anos que VENDAM suas propriedades para estes. 

Energia elétrica -  Conversei com um brasileiro que me disse que a empresa de eletricidade de Roraima teve que acudir a Companhia de energia venezuela por esta ter entrado em colapso.

Pobreza, fome e miséria - Sem dinheiro para comprar alimentos, sem mantimentos nos mercados, com racionamento de comida, não é díficil constatar que a poupulação de Santa Elena encontra-se em estado de pobreza, fome e miséria.

Saúde - Quanto a saúde não tive tempo de averiguar a real situação do povo venezuelano, contudo, o jornal do Estado de São Paulo, publicou uma matéria, dizendo que a saúde encontra-se em colapso. (leia aqui)

Conclusão:

Verdadeiramente a Venezuela encontra-se debaixo de uma grave crise proporcionada por um governo despótico, ditadorial e comunista. 

Diante do que vi e ouvi asssusta-me o fato de que o governo brasileiro apóie integralemente Nicolás Maduro e seu socialismo bolivariano. O silêncio de Dilma diante do sofrimento do povo venezuelano, nos mostra o nível de comprometimento do Partido dos Trabalhadores com essa maldita política Chavista.

Isto posto, resta-nos colocar as barbas de molho e orarmos tanto pela Venezuela como pelo Brasil. Pela Venezuela para que o Senhor nosso Deus os livre de dias piores, e pelo Brasil para que isso aqui não vire uma Venezuela.

Renato Vargens

segunda-feira, 17 de março de 2014

A origem e efeitos da "teologia" da prosperidade

"Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares."

Ficheiro:Ary Scheffer - The Temptation of Christ (1854).jpg
Satanás é o maior interessado nas heresias 
A teologia da prosperidade não pode ter sido originada pelos homens. Este verdadeiro câncer e, talvez, a pan-heresia de nossos tempos, é pautado pela voz do Inimigo. Vejamos : o seus líderes não estão interessados em pregar o Evangelho. Apenas dizem coisas como:   "-Venha , e todos os teus problemas serão resolvidos",ou "-Venha para nossa igreja,e você será próspero em todos os sentidos". Não estão interessados na salvação das almas, e sim em lotar suas igrejas com ignorantes não-regenerados, prontos a obedecer-lhes em tudo. Assim, muitos que nunca passaram pelo novo nascimento consideram-se cristãos porque frequentam os cultos, fazem as campanhas, obedecem certos padrões humanos e dão o fruto de seus trabalhos aos seus "pastores". Muitas dessas pessoas nunca conhecerem à Cristo, nunca conheceram o Evangelho da Bíblia, que exige do homem,pobre e depravado pecador, uma rendição total e incondicional diante do Deus justo e santo, entronizado nas alturas. Não conhecem ao Evangelho da justificação pela fé, pois pensam que serão salvas por obedecer aos seus líderes. Não conhecem o dom do Espírito Santo.Não sabem que devem buscar a vontade de Deus,e não a própria. Não amam a glória de Deus e sua vontade soberana, mas querem, quais filhos mimados, que o Pai celestial lhes conceda todos os desejos. Estão espiritualmente mortos, pobres, desgraçados, cegos e nus.
Existe algo que é muito irritante. Muitos crentes sinceros gostam de ficar condenando,por exemplo, os católicos romanos, mas calam-se diante do erro da "teologia da prosperidade" pois, dizem eles, não devemos julgar nossos irmãos. Não estou aqui para defender os erros da ICAR, mas apenas creio que não devemos usar dois pesos e duas medidas. Os católicos praticam a idolatria ? Os seguidores da teologia da prosperidade(daqui em diante TP) praticam a egolatria(adoração à si próprio), ao se acharem senhores de tudo o que existe, ao pensarem que devem apenas mandar e "crer", que serão feitas todas as suas vontades. Os católicos pregam a salvação pelas obras? Os seguidores da TP também o fazem, ao pregar que a salvação é pela obediência incondicional a todo tipo de patifaria e heresia que seus líderes criam( como o bruxo Edir Macedo, que blasfemou da doutrina bíblica da salvação pela fé). Os católicos erram em crer num líder humano? Os seguidores da TP também( e olha que o papa parece infinitamente mais sincero e cristão do que os líderes da TP). Os católicos são supersticiosos em relação a objetos(como medalinhas, relíquias, imagens e crucifixos)? .Os da TP fazem isso de forma mais tosca ainda, ao acharem que certos objetos(cá entre nós, super-bregas) tem algum tipo de poder.Os católicos vendiam bençãos no passado? Os discípulos da TP até hoje o fazem.
Devemos estar prontos para a proliferação dessas pseudo-igrejas, que não pregam o evangelho da cruz, mas sim um evangelho carnal, terreno e diabólico. Devemos ter amor por essas pobres almas que se perdem no caminho da heresia. Devemos estar prontos para dar a razão de nossa fé, para ensinar com carinho(porém com autoridade) aos seguidores da TP, provarmos na Bíblia que os caminhos que seguem não são os caminhos corretos de Deus. Devemos orar por essas pessoas.E, como o amor de Cristo está derramado em nossos corações, devemos pedir até mesmo pelos lobos que fomentam essas doutrinas, pois são também pobres almas que necessitam do amor de Jesus.
Por fim, eu reconheço que existem muitos crentes salvos e sinceros( as vezes até mesmo melhores que nós) nas igrejas que seguem a TP. Mas isso é uma razão a mais para combatermos contra essas falsas doutrinas que têm se propagado em nosso meio.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Os grandes compositores e a fé

"Cremos que os grandes criadores de música têm sido hábeis servos"
(Rev. João Wilson Faustini,no livro "Música e Adoração")

Depois de uns tempos improdutivos,  desejo voltar a escrever, iniciando com a frase de um dos maiores nomes da música sacra no Brasil, que também é pastor presbiteriano. Nessa reflexão, falaremos da relação entre alguns dos grandes compositores com o transcendental.
Ficheiro:Johann Sebastian Bach.jpgAs histórias sobre a espiritualidade do luterano Johann Sebastian Bach(1685-1750) são conhecidas. O compositor alemão assinava todas as suas partituras com um "S.D.G." (abreviação da frase latina Soli Deo Gloria,que significa "Somente para a glória de Deus). Mesmo a música secular era,de certa forma,consagrada à Deus.Ora, que mal pode existir em ouvirmos músicas não-sacras ,desde que tenham mensagens boas,como o amor conjugal, a felicidade, sentimentos e dificuldades da vida? Os primeiros protestantes não tinham problemas em relação a isso. Martinho Lutero e até mesmo o rígido João Calvino reconheceram que existe música secular para "recrear o espírito". Como herdeiros espirituais dos reformadores, devemos dedicar nossas atividades à Deus, desde que não sejam pecaminosas. E ouvir boa música secular, com certeza não é.
Heinrich Schütz(1585-1672), também alemão, foi o primeiro a compor uma ópera em língua alemã, de título "Dafne"(infelizmente as partituras se perderam).Schütz é descrito na Grande Enciclopédia Larousse Cultural, como um "piedoso luterano".Ele compôs muitas peças sacras,como o oratório "A História da Natividade"; "As Sete Palavras de Cristo na Cruz" e a "Paixão Segundo São Mateus".
George Friederich Händel(1685-1759) também era alemão, mas naturalizado inglês. Compôs vários oratórios( óperas sem encenação, geralmente com temas religiosos) e outras peças sacras. De formação protestante, foi num difícil momento que compôs sua principal obra, o oratório "O Messias"(aquele do famoso "Aleluia!"). O compositor estava doente e endividado, quando apresentou seu sofrimento ao Criador, com as famosas palavras de Cristo: "-Deus meu,por que me abandonastes?".Sentindo-se então inspirado,,em apenas catorze dias, compôs o oratório.
Para completar o quadro de alemães, temos aquele que é,provavelmente, o mais conhecido compositor clássico do mundo, Ludwig van Beethoven(1770-1827). Nascido e criado numa família católica,  tinha profundos sentimentos espirituais. Ao compor sua "Missa Solene", ele disse que se tratava de uma obra para despertar o sentimento religioso de seus intérpretes e ouvintes. Mas nem sempre Beethoven estava "de bem com Deus". No auge de seu sofrimento,causado,por exemplo, pela surdez e depressão,o compositor "levantava os punhos ao céu", chegando se queixando de suas dores.
Houveram até mesmo clérigos ordenados entre os grandes nomes da música erudita. Os mais conhecidos, talvez sejam os padres José Maurício(1767-1830),um brasileiro, e Antônio Vivaldi, um italiano(1678-1741).
O russo Piotr Ilitch Tchaikovsky(1840-1893) produziu música para a sua igreja(ortodoxa russa) Vejamos o que o compositor disse:

"Para mim, a Igreja ainda possui muito charme e poesia. Eu participo das liturgias frequentemente.
 Considero a Liturgia de São João Crisóstomo uma das maiores produções de arte.
 Se acompanharmos as liturgias cuidadosamente, entrando nos significados das cerimônias, é impossível não ser profundamente movido pela Liturgia de nossa própria Igreja Ortodoxa... desde ficar surpreendido e em transe pela força do coral, enriquecido pela poesia da música, rejubilar-se quando ressoam as palavras "Louvado seja o nome do Senhor!"...
 Tudo isto é infinitamente precioso para mim! Uma das minhas maiores alegrias!"

O francês Charles Gounod(1818-1893) era profundamente religioso, e no final de sua vida, compôs exclusivamente música sacra. O checo Antonin Dvorak(1841-1904) era, segundo o site especializado em música sacra "Rolando de Nassau",um homem muito piedoso, que compôs para à igreja durante toda vida. O austríaco Franz Joseph Haydn(1732-1809) disse que o propósitos de suas obras eram a glória de Deus.
Poderíamos falar durante horas sobre os grandes compositores. Houve também aqueles que não eram lá muito dedicados à Fé... Mas todos eles foram homens como nós,  com seus próprios sentimentos,  e entre seus legados estão algumas das melhores peças musicais, obras que têm a reverência e a majestade almejadas na igreja. Apreciemos então a boa música sacra como os nossos próprios corações elevados à Deus.

sábado, 4 de janeiro de 2014

A Espiritualidade da Epifania


A Espiritualidade da Epifania

por Edson C. Sardinha
Epifania — palavra grega, significa entrada poderosa, chegada solene de um rei ou imperador tomando posse de um território; ou da aparição de uma divindade ou de sua intervenção prodigiosa.
Para nós, cristãos, é a festa da manifestação de Jesus, que veio para todos os povos.
A Epifania é para o Natal, o que Pentecostes é para a Páscoa: seu desenvolvimento e proclamação ao mundo é o desfecho radiante do Natal!
A Epifania é uma festa mais antiga do que o Natal. Celebra-se a manifestação (epifania) de Jesus Cristo como Deus.
Três passagens epifânicas são lembradas neste domingo: A Vinda dos Magos do Oriente (não eram três, nem eram Reis), o Batismo do Senhor e as Bodas de Caná da Galileia.
No Natal Jesus se manifestou aos judeus, na Epifania ele se manifesta aos gentios.
Jesus vem ao mundo para se humilhar. O próprio nascimento, vida e morte do Senhor é uma contradição para a mente humana. Refletindo no paradoxo de Jesus, Santo Agostinho diz: “Vejam! O Criador do ser humano se fez homem para que, Aquele que governa do mundo sideral, se alimentasse de leite; para que o Pão tivesse fome; para a Fonte tivesse sede, a Luz adormecesse, o Caminho se fatigasse na viagem, a Verdade fosse acusada por falsos testemunhos, o Juiz dos vivos e dos mortos fosse julgado por um juiz mortal, a Justiça fosse condenada pelos injustos, a Disciplina fosse açoitada com chicotes, o Cacho de uvas fosse coroado de espinhos, o Alicerce fosse pendurado no madeiro; para que a Virtude se enfraquecesse, a Saúde fosse ferida e morresse a própria Vida” (Sermão 191,1).
Agostinha via o presépio como mistério do Deus que deseja ocupar os nossos corações como Templo: «Jesus jaz no presépio, mas leva as rédeas do governo do mundo; toma o peito, e alimenta aos anjos; está envolto em panos, e veste a nós de imortalidade; está mamando, e o adoram; não encontrando lugar na pousada, fabrica seus templos nos corações dos crentes. Para que se fortalecesse a debilidade, se debilitasse a fortaleza... Assim, acendemos nossa caridade para que alcancemos a sua eternidade». (Sermão 190,4).
O Natal e a Páscoa não são epifanias para o mundo. O mundo não consegue amar e seguir um Deus encarnado e crucificado. Mas para nós a vida de Cristo é total epifania do seu poder. Santo Agostinho diz: «A humildade é ela mesma que se lança ao rosto dos pagãos. Por isso nos insultam e dizem: Que Deus é esse que adorais? Um Deus que nasceu? Que Deus adorais? Um Deus que foi crucificado? A humildade de Cristo desagrada aos soberbos; mas se a ti, cristão, agrada, imita-a; se a imitas, não trabalharás, porque Ele disse: Vinde a mim todos vós que estais sobrecarregados». (Narrações. 93,15).
A Epifania manifesta este mistério de Deus aos magos e ao mundo pagão. Agostinho diz: «Jazia no presépio, e atraia aos Magos do Oriente; se ocultava em um estábulo, e era dado a conhecer no céu, para que por meio dele fosse manifestado no estábulo, e assim este dia se chamasse Epifania, que quer dizer manifestação; com o que recomenda sua grandeza e sua humildade, para que quem era indicado com claros sinais no céu aberto, fosse buscado e encontrado na “angustura” do estábulo, e o impotente de membros infantis, envolto em panos infantis, fosse adorado pelos Magos, temido pelos maus» (Sermão 220,1).
A Epifania retoma o Natal de Jesus celebrando a sua humanidade manifestada a todos os povos. Traz consigo a mística de que a salvação destina-se a todos: “Levanta-te e brilha, Jerusalém, olha o horizonte e vê. Sobre todas as nações brilha a glória do Senhor” (Is 60,1).

Manifestemos hoje o Redentor de todos os povos e façamos deste dia a festa de todas as nações. Epifania é a festa da chegada da Salvação de Deus para todos os povos. A mensagem da Epifania é: Quem crer e for batizado será Salvo, não importando sua nacionalidade, raça ou cultura. É o deus missionário transcultural vindo ao nosso encontro.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Advento




 O ano litúrgico começa com o período do Advento, no quarto domingo que antecede o Natal. A palavra "advento" vem do latim "Adventus Redemptoris", ou "a vinda do Redentor". Faz parte do ano litúrgico desde o século VI. Mais do que um período preparativo para festejar o Natal, o Advento nos alerta para a necessidade de nos prepararmos diante do evento final da história: o segundo Advento de Cristo. A criança de Belém é o Senhor e juiz das nações, que virá em poder e glória no fim dos tempos para estabelecer o reino pelo qual pedimos na oração que ele mesmo nos ensinou.
  Por enxergar a primeira vinda de Cristo à luz da segunda, o Advento contesta a deturpação sentimental ou a completa secularização do Natal pelo mundo. As igrejas que observam o Advento como um tempo de preparação espiritual, visando a manifestação final do reino de Deus, restauram o sentido bíblico do Natal, colocando-o no contexto da história da salvação.

GUIRLANDA DO ADVENTO

 No Advento, muitas igrejas fazem a celebração litúrgica da Guirlanda do Advento, uma parábola encenada que representa a crescente expectativa do povo de Deus para com a vinda do Messias.
 A guirlanda é um círculo de folhagens com quatro velas. O círculo representa o amor de Deus, eterno e sem fim nos seus propósitos.
 As velas, que vão sendo acendidas progressivamente, uma a cada domingo do Advento, nos falam da chegada da luz verdadeira ao mundo, cujo brilho a escuridão jamais conseguirá apagar.
 Esse antigo costume surgiu em lares protestantes da França e da Alemanha, e foi se espalhando por todo o mundo cristão. Simboliza a antecipação da igreja que, ao preparar-se para celebrar o nascimento do Messias, também levanta seus olhos para o futuro, antevendo pela fé, a manifestação plena do seu reino, no final dos tempos.
 No início do culto, a cada domingo do Advento, uma família previamente preparada, acende uma, depois duas, até que, no quarto domingo do Advento, todas as quatro velas estejam acesas. As velas da Guirlanda do Advento devem permanecer acesas durante o culto, não só no período do Advento, mas também na véspera e dia do Natal, e no primeiro domingo após o Natal.
 A cada domingo do Advento, uma família diferente pode participar da liturgia da guirlanda.

extraído do Manual do Culto, da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil